Memórias de Nylse Cunha

Nylse Helena Silva Cunha nasceu em 23.09.1929 e faleceu em 24.04.2017, deixando filhos, netos e uma plêiade de alunos. Um legado grande e expressivo sobre a educação e também dos alunos com necessidades especiais e posteriormente de brinquedoteca. Até a própria palavra brinquedoteca foi criada e divulgada por ela.

Citemos de sua vida apenas alguns dados importantes: trabalhou 25 anos na APAE de São Paulo como Brinquedista Terapêutica, dirigindo e coordenando uma seção de brinquedos para crianças com dificuldades especiais, bem como, as de  deficiência mental, autismo e outras enfermidades semelhantes.

Criou o famoso e conhecido Instituto Indianópolis para crianças e jovens com necessidades especiais. Escreveu muito e participou de vários congressos nacionais e internacionais, em defesa da criança e do ser humano em geral, em prol de uma vida feliz. De estudos feitos no antigo Colégio Batista Brasileiro, nas Perdizes, onde foi aluna, partiu para o seu desenvolvimento pessoal, assistindo cursos e participando de congressos, assim como os que ofereceu a todo o país. Foi aluna da Presidente da Academia Paulista de Psicologia, Drª Aidyl Macedo Queiroz Pérez Ramos, escrevendo um de seus primeiros artigos, sobre o teste ABC de Lourenço Filho, o qual Drª Aidyl guarda como uma joia e com muita satisfação.

Nos últimos tempos fundou o grupo de estudos internacionais sobre “International Education for Toy Library”, que funciona até hoje e segue em expansão.

Dá grande prazer ao visitar o Instituto Indianópolis, já mencionado, porque logo na sua entrada, vislumbra-se uma grande biblioteca de brinquedos, com um enorme número deles, organizados, conforme idade, quadros clínicos, etc..,além disso com condições ambientais para os próprios alunos brincarem e assim se iniciarem em suas aulas. Nylse escreveu muito, quero apenas citar a sua participação no Seminário de Brinquedotecas, publicado em Brasília, em 2006.

Citemos de Profª Nylse algumas palavras: “Toda criança merece brincar, precisa e tem necessidade de fazê-lo. Elas não brincam, porque precisam trabalhar para a sobrevivência, mesmo sendo especiais; a vida roubou-lhe a infância”.

A Brinquedoteca, seja onde estiver instalada, em igrejas, escolas, creches, hospitais, ruas, isto é onde a criança permaneça, deve ser um espaço privilegiado e coordenado por pessoas qualificadas. Deixo uma reflexão da Profª Nylse: “Que cada um de nós ofereça às nossas crianças a oportunidade que elas precisam para se tornarem cidadãs capazes de construírem um mundo melhor”. Nós dizemos “O lúdico é uma grande oportunidade” (página 35 – Seminário Nacional Brinquedoteca – Câmara dos Deputados 2006).

 

 Aidyl Macedo Queiroz Perez Ramos