Era uma vez um tempo, antes do começo do tempo….por Alda Luba

Ocorreu na sede da ABBri – dia 01 de novembro de 2014, o primeiro  Ciclo de Estudos e Vivencias com o tema:  O Poder Transformador das Imagens Contidas nas Histórias – Trabalhando O Invisível Para Transformar O Visível, conduzido por Alda Luba.

Dia de muito aprendizado e confraternização.

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Era uma vez um tempo, antes do começo do tempo….por Alda Luba

 

A tradição de contar histórias vem de muito longe e é conhecida por muitas culturas como uma experiência vital para a saúde dos indivíduos, da comunidade e do ambiente.  Aqui poderíamos falar sobre salutogênese.

Poderíamos falar de imagens que curam tal seu poder transformador. Vide a psiconeuroimunologia.

Contar histórias é uma atitude saudável. Um profissional da área médica – com uma determinada cosmovisão do ser humano – pode receitar não só medicamentos, mas também, um conto de fadas para ser lido todas as noites antes de dormir, por um período de tempo, dada a natureza do conto e o momento que o paciente  está vivenciando.

Desta forma, cuidamos das imagens que vão habitar o imaginário de uma pessoa quando ela se recolhe para um sono bom que restaure suas forças físicas, emocionais e espirituais.

Uma pessoa pode ser uma criança, um jovem, um adulto ou um idoso, pois contar histórias não se restringe a uma determinada idade. Contar contos de fada para uma criança em crescimento constitui um alimento para sua alma.

Ora, seus órgãos estão em formação e as imagens que ela apreende deste mundo permeiam o seu organismo vivo. Imagens do cotidiano, imagens da televisão, imagens do convívio familiar. Imagens estas que tanto podem ser as alimentadoras como as imagens devastadoras.

 Tal é o cuidado que devemos ter ao escolher para os pequenos: quais histórias e quais imagens. Quando jovem, também, ainda em formação, contar histórias revela-se de grande valia para originar valores e promover uma conversa – momento sagrado para ouvir suas ideias e fazer perguntas que demonstrem interesse verdadeiro e não questionamento. A pessoa adulta encontra nas histórias um apoio para uma convivência harmoniosa das polaridades.

Ao idoso, uma história carreia novas perspectivas ainda não experienciadas; novos papéis em busca da maturidade consciente e ao mesmo tempo leve, com um viés de bom-humor e astúcia ao lado de uma paisagem de alívio e conforto, porém instigante.

Contar histórias é uma arte dos dias de ontem para revitalizar os recursos humanos de hoje, dentro de um contexto da pessoa profissional, pois um departamento de uma empresa pode ser considerado uma comunidade.

As imagens das histórias introduzem soluções criativas para situações áridas, por outro lado, uma história através dos tempos tem sido um veículo de expressão do contador para explicar fenômenos da natureza talvez até para que este mundo faça sentido. Quando nos deparamos com o contador de histórias estamos diante de um ser humano que deseja se expressar, ou seja, uma pressão que está aqui dentro e necessita sair: ex – pressão.

Historias são pontes entre a educação, a arte, a saúde e hoje, vários profissionais, cada vez mais, trabalham com esta cosmovisão interdisciplinar inclusive a área de desenvolvimento humano de uma empresa.

Alguns pontos para reflexão:

Quem está na minha plateia?  Para quem vou contar? Quem são eles?

Qual é a idade? O que fazem? Quantos são?

O que é esperado das pessoas depois de ouvirem a história que vou contar?

Como trabalhar a presença do contador?

Quais seriam as artes e técnicas deste ofício sagrado?

Que personagens são convidados para o nosso círculo, hoje?

Esta abordagem de trabalho fornece subsídios teórico-práticos sedimentando e alimentando a formação do participante para que ele possa encontrar dentro de si a sua voz de contador de histórias ao expressar a beleza, a sabedoria e os conhecimentos contidos nesta ferramenta ­ a história – que surge do pensamento intuitivo, simbólico, multidisciplinar e integrativo para repousar num tapete e fluir para o bem estar dos que sabem e querem ouvir.

Ao conto de fadas foi doada uma estrutura, um espelho que reflete o contador em qualquer uma das muitas culturas existentes nos quatro cantos do mundo.

Se vários contos de fadas ficaram mais conhecidos através de uma tecnologia mais recente, como o cinema, não é saudável inferir que os demais contos acontecem somente dentro de um tradicional castelo medieval; pois, um conto de fadas coreano pode narrar uma imagem nada ocidental como um rubi facetado em cinco lados que o dragão expira junto com o fogo -pelas narinas- ao sair das águas de um rio bem caudaloso!

Que linda imagem! Um rubi vermelho cor de sangue facetado em cinco lados!

Uma pedra bruta trabalhada facetada em cinco arestas. Por que cinco?

Como é importante não retirarmos detalhes preciosos das histórias: eles contem ensinamentos milenares que pertencem ao acervo cultural da humanidade. Vamos cuidar da ecologia da linguagem!

Qual é o perfil da personagem da minha história? Da história que estou buscando. Quando procuro uma história ela também me procura. Uma história é uma entidade viva. Assim como as palavras são vivas. As histórias gostam de ser contadas. Uma história veste uma cosmovisão, pois dentro dela há uma estrutura orgânica, sistêmica, que contem a chave para abrir muitas portas. Também costumo nomear: ORGANIC STORYTELLING, pois traduz bem uma ideia orgânica, viva. Venha participar deste curso/vivência.

O PODER TRANSFORMADOR DAS IMAGENS CONTIDAS NAS HISTÓRIAS trazendo a sua pergunta para enriquecer o grupo.