Projeto “Mini-Hospital”

Projeto “Mini-Hospital”

Cerca de 400 crianças de escolas de Florianópolis conheceram, de maneira lúdica, durante o XX Congresso Brasileiro de Cardiologia Pediátrica, o funcionamento de um Hospital.

Médicos e enfermeiros do Hospital Infantil Joana de Gusmão, de Florianópolis, encontraram uma maneira simples e eficaz para facilitar a ,realização de procedimentos em crianças que passam por cirurgias ou precisam de tratamentos contínuos. Isto foi demonstrado durante o XX Congresso Brasileiro de Cardiologia Pediátrica, que aconteceu de 26 a 29 de novembro, no Centro de Convenções do Costão de Santinho Resort & Spa, no qual cerca de 400 crianças de escolas da região tiveram a oportunidade de conhecer de perto o funcionamento de um centro cirúrgico, e de todas as unidades de um hospital.

Foram mostrados a esses escolares como os procedimentos são demonstrados para as crianças internadas. Com uma simples boneca, os profissionais explicam aos pequenos o que será feito com elas, no caso de uma internação, e pedem que os pacientes realizem no brinquedo os mesmos procedimentos. A boneca utilizada sofre pequenas intervenções, como a colocação de sondas, drenos, cateteres e bolsas de coleta. Com isso, as crianças perdem o medo do tratamento e resistem menos aos procedimentos da enfermagem. Até mesmo o sangue é simulado, com um líquido colorido artificialmente.

A idéia, segundo o diretor Hospital Infantil, Dr. Mauricio Laerte Silva,surgiu das dificuldades encontradas no atendimento das crianças e no acompanhamento dos responsáveis nos processos cirúrgicos. “Era muito difícil tranqüilizar os pais de uma criança antes e durante uma cirurgia. Eles ficavam inquietos e preocupados, e passavam todo esse sentimento para os pequenos. Com o projeto, esse quadro mudou. As crianças perdem o medo, diminuem a ansiedade e a agitação durante essa fase”, afirma.

O objetivo é que, por meio das brincadeiras, os pequenos tomem conhecimento do que vai acontecer com eles durante uma cirurgia, por exemplo, e ganhem confiança e segurança. Já os acompanhantes recebem as orientações que deverão seguir para que a cirurgia seja bem-sucedida, como a importância do jejum, os exames pré-operatórios e algumas reações do paciente durante a recuperação pós-anestésica. “Muitas vezes a criança chega no hospital e vai ser submetida, por exemplo, à instalação de soro, que pode ser um procedimento agressivo para ela. A família também se assusta. Com toda a estrutura do mini-hospital e o auxílio de um elemento do imaginário da criança, como uma boneca, a criança aceita de forma mais natural ser submetida a esse mesmo procedimento”, comenta.

O médico explica ainda que no mini-hospital Infantil a metodologia é utilizada em praticamente todos os setores, principalmente nos que são realizados procedimentos cirúrgicos. De acordo com Dr. Laerte Silva a técnica faz com que crianças e familiares conheçam melhor o hospital que, até então, era um mundo desconhecido para eles. “Nas unidades nas quais se realizam procedimentos cirúrgicos a aplicação do método é ainda mais intensa porque a cirurgia causa medo e apreensão por parte dos pais e dos pequenos. Com a boneca, existe toda uma relação de confiança e segurança”. O Diretor explica ainda que, ao conhecer os procedimentos, os pais e filhos se tranqüilizam.

A metodologia representa um momento de humanização e acolhimento em todo processo de tratamento e recuperação da criança, além de contribuir para melhorar a relação entre paciente, pais e equipe de saúde, disse o médico.

“Isso é muito importante na recuperação da criança e no seu comportamento durante o ato cirúrgico, por exemplo. Além disso, muitas vezes a criança tem alta e sai do hospital com uma sonda ou um cateter e nesse momento os pais têm que saber como manipular. A forma de aceitar esse treinamento é por meio da boneca e participando ativamente junto com a enfermagem”, finaliza

Fonte: SEGS

Novembro/2008